ME SINTO SÓ
Uma mulher estava num casamento que já durava 15 anos.
Era um relacionamento já completamente desgastado, que, em termos
práticos, já havia terminado, e estava sendo mantido apenas nas
aparências. Os dois viviam juntos na mesma casa, mas mal se falavam. A
mulher não terminava com ele por um motivo muito simples: ela tinha medo
da solidão.
Certo dia, ela resolveu procurar ajuda, e iniciou uma psicoterapia. Logo no primeiro dia, o terapeuta fez uma série de perguntas,
e ela respondia tudo formalmente, sem se abrir muito. Ela relatou as
condições de seu casamento e disse que se sentia muito mal e carente.
O psicólogo perguntou por que motivo ela não se separava do marido. Ela respondeu:
– Não sei bem. Mas o principal é o medo da solidão.
O psicólogo pensou por um instante e disse:
– Observe o que você está me dizendo. Você não deseja separar-se dele
porque tem medo da solidão. Mas eu te digo: será que você já não está
solitária dentro do casamento?
A mulher ficou estarrecida com essa colocação. O psicólogo continuou:
– Pare para pensar e veja o óbvio. Você tem medo de passar por algo
que, na prática, já ocorre. Você tem medo separar-se e ficar sozinha,
mas dentro do casamento você já está sozinha! Então, se você já está
sozinha, qual o motivo do medo? E se é algo que já está acontecendo, não
há porque ter medo, pois já acontece e você já sofre os efeitos da
solidão. Você só deveria ter medo de ficar onde está, paralisada e
solitária, e não de mudar sua condição. Portanto, caso você deseje,
separe-se, pois ao menos você terá uma chance de não mais sentir-se
solitária.
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