Depois
de passar anos acreditando em algumas teorias e pessoas, passei a
enxergar a vida de uma forma totalmente diferente, talvez até oposta
daquela que eu enxergava.
Eu tinha a inocência de achar que o
importante mesmo era estar rodeada de gente, sempre com ao menos uma
companhia disponível pra sair na noite de sábado. Achava ainda que
também era importante ser sempre a boa praça que se dá bem com
todo mundo e não tem problema com ninguém... Até que eu percebi que é
impossível agradar todo mundo e simpatizar com qualquer pessoa. Também
percebi que de nada adianta ter um monte de gente ao redor se não houver
ao menos uma com a qual você possa contar em qualquer momento e,
principalmente, se você não souber ser uma boa companhia para si
próprio.
Também tinha a inocência de achar que tudo é para
sempre, que relações que parecem fortes hoje continuarão sendo amanhã,
que o coração jamais se enganaria sobre quem iria embora e quem ficaria.
E então, me dei conta de que nada é eterno e que alguns rompimentos
acontecem para reparar e fortalecer as relações, já outros acontecem
para cortar tudo aquilo que, além de enfraquecido, já não faz mais
sentido.
Por fim, tinha a inocência de achar que amar alguém
pra valer era querer estar o tempo todo com esta pessoa. Hoje, percebo
que quando se ama pra valer, compreende-se com facilidade que, assim
como a liberdade é necessária e essencial para a própria felicidade, ela
também é fundamental para a felicidade do outro. Afinal, ninguém merece
perder a sua individualidade nem sentir-se incompleto sendo que somos
inteiros.
E assim eu fui abrindo os olhos, às vezes fechando um
pouco o coração e colocando mais os pés no chão. Fui filtrando as
relações, enxergando a diferença entre colega e amigo, amor e paixão,
conveniência e afeto. Desfiz nós e, ao mesmo tempo, fortaleci laços, me
desapegando do que já não acrescentava para valorizar somente o que
merecia ficar.
Desde então, vejo tudo com os mesmos olhos, mas com
um outro olhar. Sinto com o mesmo coração, mas com um novo jeito de
sentir. Mantenho a essência que sempre fez parte de mim, mas agora mais
realista, madura e leve.
Desde então, já não sinto mais falta
daquela grande roda de presenças porque aprendi a contar comigo mesma e
com aqueles poucos que valem a pena.
Desde então, já entendo que
assim como eu tenho a necessidade de ter os meus momentos, o outro
também tem e isso não muda o que sentimos e somos.
Desde então, já
percebo que o tempo é mesmo o senhor da razão e que tudo um dia faz
sentido... as conquistas, os fracassos, as decepções e as relações
sempre acontecem para trazer o que naquele momento você mais precisa:
alegria ou sabedoria.
Beatriz Zanzini
Nenhum comentário:
Postar um comentário